Viagem Missionária Amazônia - Vila Centenário - Março/2015

“Então ouvi a voz do Senhor, conclamando: Quem enviarei? Quem irá por nós? E eu respondi: Eis-me aqui. Envia-me!” (Isaías 6:8)

01 Março 2015 - Domingo

Início da nossa viagem missionário. Peguei o avião em Curitiba as 13hs com destino a Guarulhos e as 20hs, embarquei com destino a Manaus.

Chegando em Manaus, fui para o hotel onde o Toninho, Heidi e Amanda já estavam hospedados.

Cheguei bem tarde, então o que me restou, foi descansar para começarmos o dia seguinte bem cedo.

02 Março 2015 - Segunda

Acordamos cedo, por volta das 6hs, horário local (-1 hora em relação à Curitiba). As 7 horas eu e o Toninho já estávamos tomando café e por volta das 8h30 partimos a pé para o centro de Manaus para comprar várias coisas para levarmos para Vila Centenário enquanto a Heidi e Amanda foram passear pelo centro.

Compramos peças eletrônicas para os painéis de energia e um transformador de 12v DC para 127v vAC. Passamos por uma loja de ferramentas onde os valores são absurdamente acessíveis com uma boa qualidade. Compramos lanterna a R$11, canivete a R$10, enfim, uma perdição. Mais alguns itens necessários foram comprados como ferro de solta, etc. Compramos também uma bomba de água para o barco do Sérgio e da Laura e depois disso voltamos para hotel, quase atrasados para pegar o barco.

No caminho paramos numa lanchonete fantástica para comer um Cheese Egg por volta das 11hs. Comemos rápido e nos encaminhamos para o hotel para pegar a bagagem para pegar o barco com destino a Nova Olinda.

As 13hs, embarcamos na lancha D. Zeina e as 13h30 partimos de barco para Nova Olinda onde chegamos por volta das 19hs. Lá, o Missionário Joãozinho estava nos esperando de Kombi para pegarmos o barco do Missionário Sérgio e Laura para darmos continuidade a nossa viagem. No trajeto até Nova Olinda, pudemos conhecer a cabine da lancha D. Zeina e conversar com o pessoal que nos leva nessa viagem tão tranquila.

Por volta das 19h30hs embarcamos no barco Servos, barco do Sérgio para seguir nossa viagem através do rio Paraná Urariá.

Depois de 4hs de viagem, chegamos na Comunidade Abacaxis, na casa do Pastor Alex onde paramos para dormir. Alguns foram dormir na casa do Pastor enquanto os demais, incluindo eu, dormimos em redes, no barco.

03 Março 2015 - Terça

As 06hs da manhã já estávamos acordado e fomos tomar café na casa do Pastor Alex, onde pudemos compartilhar o pão e o café com a família do Pastor e pudemos ter um momento muito gostoso com o pessoal da Vila.

Por volta das 8hs, embarcamos novamente para agora, chegamos no nosso destino final, a Comunidade Vila Centenário.

Durante a viagem, pudemos aproveitar toda a beleza da Floresta Amazônica e pude, pela primeira vez, navegar nas águas dos Rios da Floresta no leme do barco do Sérgio. Uma experiência muito joia!!!

Chegamos em torno de 11h30. Descarregamos toda a nossa bagagem além de comida, farinha e demais volumes que foram trazidos no barco.

O Sérgio e a Laura, moram ao lado da comunidade, em um espaço alugado à eles, da fazenda local. Todas as casas aqui são de madeira, todas obtidas de madeira da floresta, cortadas com moto serra.

Almoçamos por volta das 13hs onde pela primeira vez, toquei suco de Graviola e depois, tiramos a tarde para descansar.

As 16hs mais ou menos resolvemos pescar. Descemos com vara de pesca e linhas de mão para o “flutuante”, uma casa que fica flutuando sobre troncos de madeira na beira da lagoa, usado pela fazenda e usado pelo moradores locais para embarque e desembarque nos barcos além de mantê-los ancorados por lá.

Ficamos por lá até o final do dia, tentando pescar algo e conversando sobre o ministério, conhecendo algumas histórias locais e passando o tempo, enquanto o pôr do sol fazia seu espetáculo a parte. Pescamos 2 Candirus, pequenos, peixe famoso da Amazônia, que entra no pênis dos homens quando os mesmos nadam pelados no rio. Ô peixe feio!!!! rss

No início da noite, pudemos jantar dividindo a mesa, tomando um maravilhoso suco de Maracujá feito da fruta naturas e saborear uma sobremesa absurdamente gostosa feita de Cupuaçu.

04 Março 2015 - Quarta

Sentamos a mesa do café as 6hs. Comemos tapioca com Leite Condensado, magnífico por sinal e um doce, chamado por aqui de Pé de Moleque, mas que é um doce bem diferente, feito com mandioca.

Por volta das 8hs, partimos de barco para visitar os moradores da comunidade. Em baixo de chuva, navegamos pelos rios e lagos da região, visitando famílias e realizando cultos com louvor e palavra, levando uma palavra de Deus e uma palavra de esperança para eles.

A primeira visita do dia, foi na casa do Irmão Timóteo. Ele é um dos moradores da região que ajuda o Sérgio no trabalho de levar ajuda e a palavra de Deus para os moradores da região. Uma pessoa simples, humilde mas de coração imenso. Foi um enorme prazer conhecê-lo e saber que ele já é uma semente que dá frutos naquela região.

Depois de visitar a casa do Irmão Timóteo que fica no Lago Tarumã, ainda com muita chuva, fomos visitar mais uma casa neste mesmo lago, alguns poucos minutos adiante.

Nessas famílias e casas, foram realizados orações, atendimentos médicos, algumas pequenas intervenções e toda a assistência que estavam ao nosso alcance. Aproveitamos para comer Coco amarelo já que a fome estava começando a bater.

Nesta casa, precisei ir no banheiro e pude conhecer um pouco da realidade daquele povo. Triste de ver!!!

Na terceira visita desta manhã, pudemos estar em comunhão com uma família do Lago Macabau. Pudemos experimentar castanhas frescas, Pirarucu assado, conservado no sal (sallggaaaaddoooooo) e mais uma fez, falar de Deus para aquela família que lá mora.

Por volta das 12h30, voltamos para a comunidade para almoçar o delicioso almoço da Dona Laura.

A tarde, as 14hs, a Dra. Heidi saiu para realizar os atendimentos médicos da comunidade no posto de saúde, junto com o médico Cubano que aqui atende pelo programa mais médicos. Eu, a Laura e a Amanda, nos encaminhamos para a Escola Municipal, onde eu realizei um pré cadastramento dos interessados do curso de Informática e a Amanda teve uma conversa com professores da escola para entender e estudar o que pode ser melhorado na escola local.

Nesse tempo, pude ouvir histórias de vida dos professores e moradores onde pude perceber que EU não sou nada nesse mundo.

Um dos professores, é formado em Economia, e depois de várias idas e vindas, conseguiu abertura para conseguir o Magistério junto ao Governo e hoje trabalha na Escolha.

Já o outro professor, que por sinal foi nos buscar no Barco Servos e veio pilotando. Este rapaz, contou a sua história. Ele era auxiliar de serviços gerais na escola local. Durante esse período, ele aproveitou para concluir o ensino médio na escola e depois de 6 anos, abraçou com todas as forças uma vaga para professor na escola. Fez o curso de Magistério e a 4 anos, é professor da escola. Fora isso, ele estuda Ciências Biológicas em Manaus, ou seja, viaja mais de 12 horas para poder estudar nos períodos de férias por 2 meses e retorna para trabalhar na escola local.

Alguns dos que estavam na reunião, não tem estudo. Aprenderam o básico do ler e escrever com a vida e sobrevivem por aqui.

Sinceramente??? Precisamos nos render às necessidade dessa gente por aqui. Escola precária. Higiene precária. Ausência de médicos e medicamentos. Uma carência extrema de um povo extremamente simples, humilde, introvertido, por vezes envergonhado, que mal conversam conosco ou nos olham nos olhos, mas que sobrevive em barracos nas encostas dos morros, sobre o domínio de um governo absurdo, que compra as pessoas com as diversas bolsas que fornece e aprisiona essas pessoas. Escolas? Nenhum investimento!!! Saúde? precária extrema!!! Saneamento básico? uma piada!!! Locais não tem energia elétrica. Dependem de gerador e dependem do Diesel do governo, que por vezes também não envia. Enfim, é de ficar revoltado com o que vemos por aqui e ao mesmo tempo, tocados, em tentar fazer um papel social que os outros não fazem.

Enfim, em torno de 16hs, voltei para a casa do Sérgio e da Laura e conversamos um pouco e dividimos um café com castanha por lá. Um tempo de descanso e bate papo.

Nesse momento, soubemos pelo Sérgio, que a Igreja Católica local, religião dominando por aqui, abriria as portas da igreja para que nós pudéssemos estar levando uma palavra para os moradores. Foi um tempo muito joia, onde Deus abriu as portas da comunidade e as portas da igreja local para nós depois de muita luta que o Sérgio e a Laura passaram por aqui, com problemas de aceitação, alguns boatos locais, enfim, Deus agindo muito por aqui neste dia.

No culto, pudemos ver muitas pessoas cantando e ouvindo a palavra de Deus falando de amor para todos e voltamos para casa, em companhia do médico local, que é Ateu e pode compartilhar um tempo gostoso por aqui conosco. Mais um pouquinho da mão de Deus que pudemos experimentar aqui pois ele pode ser abençoado com um pouco de companhia nossa por aqui e onde ele pode desabafar, dizendo o quanto sente saudades de casa, o quanto se sente sozinho morando por aqui. Também compartilhou que ele pode ir ver a família 30 dias por ano. Nos demais 11 meses, ele fica praticamente preso aqui na comunidade já que ele vive dentro do posto de saúde. Come, dorme e trabalha lá, onde ele reclamou que é muito quente e desconfortável. Nada fácil!!!

Enfim. Por hoje chega! Hora de descansar.

05 Março 2015 - Quinta

Hoje acordamos cedinho novamente, por volta das 6hs. Tomamos nosso café gostoso e por volta das 8h30 partimos para fazer mais um culto em uma casa de outra família, desta vez, no Lago do Romão. Quando estávamos embarcando, a chuva se aproximava rápido e partimos tentando fugir dela, o que não aconteceu. Pegamos um chuva forte, mas muito forte, que chegava a doer sobre a capa de chuva. Uma das lanchar não tem cobertura, ou seja, graças as capas de chuva conseguimos nos manter meio secos. Na outra, tem cobertura, mas o que não evitou o uso de capa de chuva e algumas partes molhadas. Essa chuva permaneceu até chegarmos na casa que estávamos indo.

Chegamos na casa da família e pudemos ver a carência das pessoas por atenção e carinho. Antes de começarmos nosso culto, devido a chuva, o barco do Missionário João quase afundou, pois encheu de água e a popa (parte traseira) do barco afundou, com motor e tudo.

Depois do susto e da correria, tocamos algumas músicas e depois o Toninho pregou uma palavra de esperança para a família, esta que a mulher da casa perdeu uma perna de trombose e vive numa cadeira de rodas.

Um show a parte, foi o papagaio que a família cria. Todos se apaixonaram por ele e brincaram muito com ele por lá.

Depois da palavra, tocamos mais algumas canções e partimos embora. Tudo isso durou em torno de 3 horas. Quando partimos, o motor do barco não funcionou devido ao naufrágio horas antes. Mesmo abrindo o motor, enxugando as velas e tentando o possível naquele momento mas nada resolveu. Uma parte da volta, o João voltou remando enquanto o Sérgio levava uma parte da turma em casa para depois voltar buscar o João e rebocar o barco até em casa.

Mais tarde fomos ver o que aconteceu com o motor e descobrimos q entrou água no carburador. O Sérgio e o João lavaram e secaram e o motor voltou a funcionar. Durante esse período, o Toninho refez as instalações elétricas do barco grande do Sérgio e o Getúlio mais uma vez tentava pegar algum peixe, mais uma vez sem sucesso. rs.

As 19hs, tivemos a primeira aula de informática da comunidade, ministrada por mim. Tinham 2 adolescentes, 4 adultos e 5 crianças. Todos interessados e curiosos. Comecei falando um pouco do computador, mas tudo com muita dificuldade. Apenas uma professora tinha experiência com o computador e sua filha que era extremamente esperta. A criançada aprendeu rápido, mas o restante, muita dificuldade. O sistema da escola é GNU/Linux Educacional, oferecido pelo governo, com alguns softwares educacionais entre outros, mas dificultou muito a aula, já que isso não é comum no nosso dia a dia. Lamentei não ter tirado fotos.

Tentei passar um pouco de teoria, mas sem muito sucesso. Mudei para a prática e ai pude ver um maior interesse mas ao mesmo tempo, dificuldade de alguns em simples cliques do mouse. Depois de 1h30 de aula, as crianças já estavam brincando muito com os jogos do Sistema Educacional e conseguiram abrir um editor de texto, escrever o nome e realizar algumas formatações básicas de texto.

Conversando com uma das professoras, descobri que os computadores da escola, na matéria técnica, possuem internet, projetores e mais alguns recursos extras. Uma das turmas estava com uns 8 alunos e outra com 2 onde esta, estava com o computador estragado e por isso não estava tendo aula.

Mais uma vez, nesse tempo, eu parei para refletir, orar e me indignar com o governo. Eles fornecem computadores com Linux, para não gastar com licenças e com isso, pecam com a realidade da maioria do mercado. Ao mesmo tempo, para que ter computador nas escolas se não possui acesso à internet nesses micros e muito menos ensino básico de uso de computador. Que tipo de inclusão digital é esta? Nem tomada para ligar os micros existia. A Laura teve que buscar uma extensão para podermos ligar além de que eles usam um gabinete para 5 monitores, teclados e mouses, dos quais dois não estava funcionando. Muito fácil colocar computador nas escolas para dizer que tem, sendo que não é usada e muito menos mantida. Lamentável!!!

Bom, aula terminada, voltei para a casa do Sérgio e da Laura. Jantamos caldeirada de Filhote (depois de adulto ele é chamado de Piraíba) com arroz.

Mais uma vez começou a chover por aqui. Hora de descansar pois amanhã temos mais um dia cheio.

06 Março 2015 - Sexta

Nosso penúltimo dia por aqui. Hoje acordamos cedo, tomamos nosso café diário e fizemos um devocional logo cedo. Pudemos escutar alguns testemunhos de vida da Laura e pudemos compartilhar momentos muito gostosos.

Depois do café, fomos visitar o Laguinho que está mais ou menos 30 minutos da Vila Centenário. Pegamos um temporal grande no caminho. Muita, mas muita chuva no caminho todo. O João não está nada bem da garganta devido a chuva que pegamos ontem e emprestei minha capa de chuva à ele e fiquei com a jaqueta impermeável dele, o qual não serviu para muita coisa. Me molhei muito e ele, mesmo com capa, também. Enfim, faz parte da caminhada por aqui onde estamos na fase de cheia do rio. Quando ele está em época de cheia, chove muito até ele chegar até sua capacidade máxima que é entre 6 e 8 metros acima do nível de baixa e falando bem sério … é MUITA, mas MUITA água mesmo.

O barco do João foi na frente e o Sérgio saiu alguns minutor mais tarde. Quando chegamos no Laguinho, soubemos que o ele bateu em um tronco grande no caminho, este que estava escondido entre a ondulação das águas do rio, devido a chuva, chegando a tirar a rabeta do motor de dentro da água. Neste momento, pudemos perceber a mão de Deus no livramento, pois quando o Sérgio colocou o motor dentro d'água novamente, o motor ainda estava ligado e com a força, quase virou o barco dentro do rio. Graças ao bom Deus, nada aconteceu, só o susto e eles puderam chegar no Laguinho com segurança.

Bom, depois do susto, pudemos compartilhar um momento de comunhão com o pessoal que lá estava. Lá moram poucas pessoas pois o local é usado pela Igreja Batista Regular. Os missionários do Seminário Flutuante usam o espaço para treinamentos, reuniões, cultos, retiros além de outros eventos sociais da região. Lá possui dormitórios para que possam passar a noite lá com segurança.

O Toninho ajudou no reparo e reinstalação de uns painéis solares que deram problema devido a um raio e ficamos por lá até 13hs. Enquanto isso, eu e o João aproveitamos para experimentar o Pirarucu cozido com Abóbora. Pensa num prato gostoso!!!

Na hora de ir embora, o motor do barco do Sérgio não quis mais funcionar devido a colisão com o tronco no caminho de ida. Mais uma vez, refletindo, acreditamos que Deus permitiu que o motor não desligasse naquele momento em que o barco quase virou, para que eles pudessem chegar no Laguinho com segurança pois a correnteza do rio neste dia estava bem forte. Depois q o motor foi desligado, não funcionou mais.

Enfim, algumas pessoas voltaram para a Vila Centenário com o barco do João e o resto do pessoal foi trazido depois por um morador local. Mais tarde, trouxeram o barco do Sérgio rebocado até a Vila.

Neste dia, pudemos almoçar Dourado frito com arroz e feijão com suco de Cupuaçu. Esses sucos naturais por aqui são uma perdição.

A tarde, fiz manutenção no computador da Laura, instalação da impressora e mais algumas coisas. Ficamos por aqui pois a chuva não deu folga durante o dia todos.

As 19hs, tivemos a segunda aula de informática da comunidade e pudemos ensinar um pouco mais da utilização básica do computador. Como já comentei, recursos limitados e apenas 3 computadores para 10 pessoas, o que dificulta um pouco a prática, mas acredito que foi produtivo.

Voltei para casa, pudemos jantar um escondidinho de batata com frango e suco de goiaba e depois dormir e descansar para podemos encarar o último dia na comunidade.

07 Março 2015 - Sábado

Acordamos por volta das 7hs e o tempo continua nublado por aqui mas hoje sem chuva. Pegamos muito pouco sol nesses dias que ficamos aqui e eu sou agradecido por isso pois o pouco do sol que pegamos, já foi o suficiente para ver a força que o Astro Rei tem por aqui. Quando ele vem, é muito calor. O fato de não ter sol, deixou o clima muito gostoso, fresco e ameno quase chegando ao ponto de precisar de uma blusa leve. Hora do café, com panqueca e café preto.

Terminando o café, o sol resolveu dar o ar da graça dentre as nuvens, tornando o dia quente com mormaço e sem vento o que é normal por aqui. O clima muda muito rápido!

Descemos para o barco para mexer na instalação hidráulica, eu, Sérgio e Toninho. Logo em seguida o Getúlio desceu para pescar um pouco.

Não tive muito o que ajudar no barco e peguei a lancha com ele para irmos percar em um rio paralelo ao Paraná Urariá. Ficamos mais de hora no rio tentando pescar em vários pontos mas sem sucesso. Algumas beliscadas na isca, mas não conseguimos pegar nada. Show mesmo foram os botos ao redor, subindo o tempo todo para respirar em nossa redondeza.

Voltamos para o almoço gostoso de sempre preparado pela Laura e tiramos a tarde para descansar já que este seria o nosso último dia na Vila Centenário e teríamos uma noite inteira de viagem de volta pela frente.

A noite, por volta das 19hs, começamos o culto na Igreja da Vila Centenário, ao lado da casa do Sérgio e da Laura. A igreja estava cheia e para nossa alegria, algumas pessoas da vila q são católicas, estavam lá conosco compartilhando aquela noite.

Tocamos vários louvores e pudemos ver a presença de Deus com todos na igreja se soltando e cantando conosco. O povo lá é bem humilde e envergonhado mas do jeito deles, cada um louvou a Deus e se expressou como pode. Foi muito bom. Depois o Toninho pregou para nós uma palavra abençoada e terminamos com mais 2 músicas, uma delas cantada por todos da igreja, visto que a voz do Getúlio já estava cansada. Foi lindo. O João gravou o vídeo mas não conseguimos copiá-lo para nós.

Terminado o culto, hora de carregar as malas e iniciar nossa jornada de volta. 22h30 embarcamos no barco no Sérgio e começamos nosso retorno, com duração prevista de 10 horas.

08 Março 2015 - Domingo

Ainda de madrugada, nossa viagem continua. Paramos na casa do Pastor Alex para pegar o relógio do Toninho, que ele havia esquecido no primeiro dia. Todos dormindo nas redes do barco, nossa viagem continua.

Por volta das 6hs da manhã, o pessoal começou a acordar e em seguida, a Laura já estava nos esperando com um café da manhã preparado dentro do barco mesmo. Agradecemos a Deus por todos esses dias que passamos juntos e pudemos tomar nosso último café em comunhão enquanto o João nos guiava no leme do barco com destino a Nova Olinda.

Durante a viagem, pudemos fotografar mais algumas belas paisagens, enquanto as 10 horas de barco não chegavam ao fim. Pegamos um rio afluente que nos levou à Nova Olinda um pouco mais rápido e que nos deu o privilégio de ver belas paisagens no caminho.

Chegamos em Nova Olinda por volta das 10hs.

Pegamos uma lotação com um conhecido do João que já tinha nos ajudado na ida. Descarregamos as malas do barco, colocamos na Kombi e fomos com destino a casa no João para conhecer o local onde mora agora e aproveitamos para tomar água, ir no banheiro para em seguida, dar continuidade a nossa jornada de retorno.

Fomos almoçar no centro de Nova Olinda e aproveitamos para deixar nossas malas no barco D. Zeina, nos deixando mais tranquilos em relação a nossa bagagem.

Almoçamos em um restaurante simples no centro, mas com uma comida bem gostosa. Um prato feito com arroz, feijão, macarrão, salada e alguns com carne, e outros com peixe (pirarucu). O João nos abençoou com um pote de sorvete e pudemos almoçar pela última vez juntos, com alegria e já com sentimento de saudades de todos esses dias abençoados que passamos. Nos despedimos e fomos embarcar no barco D. Zeina, para a última etapa de retorno até Manaus.

Embarcamos por volta das 12h30 e as 13hs, partimos para as últimas 6 horas de barco até Manaus. Chegando no Hotel, descarregamos as malas, saímos para comer e depois fomos descansar. Todos estavam exaustos depois de longas horas viajando de barco.

09 Março 2015 - Segunda

Hoje acordamos cedo e as 7hs já estávamos tomando café. Queríamos aproveitar o dia em Manaus para passear a fazer algumas comprinhas. ;-). Tomamos um café gostoso no hotel e pudemos conversar sobre como foi a viagem e trocar experiências vividas e sonhos para o futuro. Um tempo muito legal.

Após o café, andamos até o centro de Manaus e passeamos por lá. Compramos alguns mimos para trazer de presente para nossa família, tomamos uma água de coco e fomos almoçar.

A tarde, descansamos um pouco no hotel e mais tarde, fomos passear mais um pouco. O Getúlio queria comprar mais algumas coisas e aproveitei para comprar mais algumas coisas também, hehe.

A noite fomos lanchar na Skina Lanches, uma lanchonete perto do hotel que serve lanches gostosos e sucos naturais, deliciosos. Voltamos para o hotel e separamos as castanhas que trouxemos e no quarto do Getúlio e Toninho, oramos e falamos mais um pouco de como foi a viagem e a expectativa para as próximas idas ao AM, já pensando nas próximas viagens de missões que sonhamos fazer.

Por hoje chega. Hora de descansar.

10 Março 2015 - Terça

Hoje pudemos acordar um pouco mais tarde. A Heidi há havia ido embora e já tínhamos feito praticamente tudo por lá.

Depois do café, fui visitar o Teatro Amazonas, o qual ainda não conhecia. O teatro é muito lindo. Infinitos detalhes e acabamentos magníficos. Depois encontrei o resto do pessoal e fomos dar mais uma volta pela cidade.

Passeamos pela praça do descobrimento português que fica em frente ao Teatro e pudemos contemplar a beleza dessa região central de Manaus. Bonito mesmo é só pois o centro de Manaus é muito sujo.

Fizemos o check-out no hotel as 12hs e fomos para a casa do Seu Hélio, cliente do Getúlio que fez questão de preparar um almoço delicioso para nós. Comemos Costela de Tambaqui com arroz e salada e de sobremesa, um maravilhoso Creme de Cupuaçu. Que delícia de almoço, para fechar com chave de ouro esses dias de viagem e com toda a certeza que esta é apenas a minha primeira viagem missionária para a Amazônia.

Depois do almoço o Seu Hélio nos levou até o Aeroporto e pegamos nosso voo de volta à Curitiba, com escala em Guarulhos. Que saudades da minha esposa, da minha vira-latas, da minha mãe, minha avó e da minha cidade querida. Muito bom estar de volta mas já sinto saudades desses dias e já começo a planejar a próxima viagem, com desejos, sonhos e esperança para o futuro daquele povo.

Reflexão:

Volto com o coração em paz! Pude conhecer pessoas simples, humildes e que simplesmente dão graças a Deus por tudo que tem mesmo não tendo muita coisa. Dão graças pelo Sol, pela Chuva, pelo alimento que muitas vezes é apenas Tucumã com Farinha, quando não se pesca nada. Dão graças a Deus pela vida e são felizes vivendo com tão pouco.

Volto revoltado com o Governo, que não dá praticamente nenhum apoio àquele povo. Falta saúde. Falta médicos. Falta educação. Falta saneamento básico. Falta muita coisa. É revoltante ver os políticos recebendo salários absurdos e roubando muito dinheiro enquanto pessoas, vidas, crianças, são simplesmente esquecidas no meio do nada, vivendo acorrentados ao bolsa isso, bolsa aquilo, vivendo de forma precária e sem nenhum apoio.

Volto apaixonado pela Amazônia. Antes de falar de Deus, antes de evangelizar, nós, conhecedores da palavra de Deus e pessoas que tiveram mais oportunidades na vida, precisamos levar ajuda para aquelas pessoas. Levar saúde. Levar projetos sociais. Levar apenas um ouvido para ouvir. Levar apenas um abraço ou um simples aperto de mão. Precisamos levar humanidade para aquele povo pois levando essas coisas tão simples, portas serão abertas, barreiras serão quebradas e a palavra de Deus poderá ser pregada e ensinada podendo levar um pouco mais de esperança e levar a esperança da vida eterna para aquelas pessoas.

Obrigado a Deus pela oportunidade de realizar essa viagem e peço saúde e paz para voltar mais e mais vezes para a Amazônia. Peço condições financeiras para poder ajudar os missionários que lá trabalham e condições de realizar os projetos que foram sonhados para aquela região e que esses projetos possam ser abençoados por Deus e que possamos realizá-los nos próximos anos.

“Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a obedecer a tudo o que eu ordenei a vocês. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos”. (Mateus 28:18-20)

Abaixo, você poderá ver os vídeos que eu criei contando um pouco dessa maravilhosa viagem

Se quiser ajudar o projeto Missões na Amazônia de alguma maneira, seja orando, seja indo conosco, seja financeiramente, entre em contato comigo.

viagens/missoes/2015-amazonia.txt · Última modificação: 11/01/2016 19:19 por fabriciovc